domingo, 17 de julho de 2011

Pterodátilos, ou uma imagem da destruição



“Eu não gosto de Harold Pinter. Prefiro peças mais leves, de preferência com uma canção ou outra”
Essa foi uma das primeiras frases que me chamou a atenção em Pterodatilos, texto genial de Nick Silver e, logo nas primeiras cenas é assim que o público, de classe média, que costuma frequentar o Teatro FAAP, percebe que será o espetáculo. Marco Nanini é Ema, uma adolescente de classe média que acaba de encontrar o amor perfeito. A sua casa é perfeita, ela é descolada e tem tudo o que quer. A mãe entra em cena. Rica, poderosa, com vestidos novos e tudo o que precisa, o cenário se desestabiliza, mas nada que alguns remédinhos não resolvam. O irmão entra em cena, um homosexual, ou bichinha diria seu pai, portador do vírus da AIDS e, a partir de então, o cenário se destrói, as estruturas se destróem, aquela família se destrói, mostrando quase um espelho, onde o ser humano é completamente passivel de destruição. o cenário, que era agradável se torna o teto de um cemitério onde estão enterrados fósseis de pterodátilos, a família, tão estruturada desmorona, revelando toda a hipocrisia que há por traz da sociedade contemporânea, o humor negro se transforma em quase monólogos, onde as personagens não se escutam, ressaltados por Ema, que insiste em dizer que não escuta. Ou melhor, que não quer escutar. O público percebe então que aquela não é uma das peças leves, e a presença de uma canção ou outra é substituída pelos sub graves que fazem tremer a platéia e geram mais incômodos ainda.
Felipe Hirsh foi brilhante na direção, e Daniela Thomas ainda mais brilhante na elaboração e destruição do cenário.

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