quarta-feira, 13 de julho de 2011


Assistir a um espetáculo do Zé Celso é necessário! Assistir a um espetáculo do Zé Celso de frente para o mar é mais necessário ainda!
O espetáculo diz tudo o que eu, enquanto artista, queria dizer. Talvez de uma forma que eu não usasse, mas uma forma válida. E se não fosse válida não seria história do nosso teatro. Ali fala-se do Brasil, das raízes, de rituais. Fala-se de questões que estão na mídia, questiona-se o uso desenfreado da tecnologia, fala-se de união civil entre homossexuais, da questão do artista, da mulher, do aborto, questiona-se a instituição Igreja, brinca-se com Deus, ou seja, trata-se das relações humanas, sejam elas no Brasil de Oswald de Andrade, no Brasil de hoje ou em qualquer lugar do mundo.
Eu tinha uma impressão pre-conceituosa e equivocada em relação à participação do público. É apenas um convite. Nada ali foi forçado ou indelicado. O público realmente faz parte daquele ritual da forma como escolhe fazer. Se escolhe apenas assistir há espaço para isso e é essa a sua forma de celebrar. Se escolhe participar do jogo, é acolhido e essa torna-se a sua forma de celebração. Tudo se torna natural, humano. Até o que não deveria ser, mas é. É o ser humano/social revelado na sua essência. É naturalista e simbólico. É agressivo e delicado. É cansativo e prazeroso. Afirma e questiona. Todas as contradições estão ali. Por isso, eu diria que, mais do que necessário, é essencial, com todas as possibilidades que a palavra traz.

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