quarta-feira, 6 de abril de 2011





Ela caminhava sozinha. Longe de um tempo que não fosse apenas o seu, da sua solidão, da sua respiração, dos seus desejos e anseios. O corpo ainda salgado da água do mar, e todo o verde ao redor, alheia às pessoas que iam e vinham, como se estivessem em algum tipo de universo paralelo. Estava feliz. Estava onde queria, como se nada nem ninguém, como se nem o passado nem o futuro pudessem interferir naquele pequeno momento de vida.
Eis que viu uma placa. Azul como o céu, que se juntava ao verde do fundo, como se fossem uma coisa só. O coração disparou levemente, e nos lábios, um pequeno sorriso se abriu. Entrou como se fosse a pessoa mais importante do mundo. O ar ao seu redor tinha uma leveza e uma cor como nunca vira antes. Cumprimentava com um sorriso cada pessoa que ali estava. Naquele momento qualquer encontro seria uma troca, um lampejo de vida compartilhado, carregado de pensamentos felizes. Caminhou duas quadras, como se o mundo acabasse na terceira. E se acabasse naquele momento e naquele lugar, talvez não fosse tão ruim assim. Ia em uma contagem regressiva, 111, 109 e finalmente, ao lado daquele muro verde, com folhas e uma singela parede de pedra, avistou o número 107 e uma simples placa que a fez lembrar que é preciso acabar com a tristeza e é preciso inventar de novo o amor.
E uma lágrima boba caiu...


)5/01/2011