terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Soneto do Maior Amor

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração e que se agrada
Mas da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere, vibra, mas prefere
Feris a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

(Vinicius de Moraes)

domingo, 17 de janeiro de 2010

"Todos procuravam um carinho, qualquer coisa fora daquela vida: o Professor naqueles livros que lia a noite toda, o Gato na cama de uma mulher da vida que lhe dava dinheiro, Pirulito na oração que o transfigurava, Barandão e Almiro no amor na areia do cais.

Trecho de Capitães da Areia, de Jorge Amado
Venho por meio dessa postagem fazer um relato, um tanto tardio, da minha breve porém prazerosa estadia na Bahia.
Se eu fosse definir aquela terra em uma palavra seria ANCESTRALIDADE. Isso foi o que me marcou mais significativamente naquele povo, principalmente ao presenciar um ritual de abertura de uma casa de Candomblé, com muita batida de atabaque, muita dança afro, onde não parava de passar pela minha cabeça que os avós e bisavós daquelas pessoas (e meus também)dançavam e cantavam daquele jeito nas senzalas, e enquanto mantivermos isso vivo, nossas raízes serão preservadas.
O que me deu imensa tristeza foi a falta de educação daquelas pessoas, que sujam as praias que são suas, que gritam e xingam no ônibus e dançam aqueles sons indecentes que alguns chamam de música (e eu não acho que mereça esse título), mais conhecido como axé.
E o que me tocou foi a natureza pulsando naquelas praias, a fé do povo durante a procissão de Nossa Senhora dos Viajantes,o prazer ao mergulhar nas águas doces da Lagoa do Abaeté, a tranquilidade ao cruzar o mar a caminho de uma ilha, onde o mar batia praticamente na varanda ao amanhecer são momentos que fazem esquecer as partes desagradáveis e explicam toda a poesia retratada daquela terra em músicas e contos.

Uma dica:
Voce já foi à Bahia, nega?
Não?
Então vá!