domingo, 13 de dezembro de 2009

Duas provas no mesmo dia, uma pra aprender, outra pra "ensinar", me cansaram de verdade. E me levaram a refletir esse lugar onde eu estou agora, que é curioso com tanto pra aprender, e aprendendo muito, tentando passar parte do ainda pouco que eu sei para os alunos. E com eles aprendo a cada manhã. Aprendo nem que seja que não adianta pedir trabalho pra casa que eles são preguiçosos e não fazem, e que eu preciso ser criativa para buscar fomas de se interessar pelo contúdo. E aprendo que quando eles sabem o conteúdo, se acham os donos do mundo, e essa apropriação é emocionante, é a apropriação da descoberta, do conhecimento que levarão à formação da personalidade e do caráter deles. Pensar que eu tenho um papel nessa formação me assusta e me encoraja, a fazer a diferença na vida de cada um deles.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Meu lado professora bateu forte por aqui esses dias. Pensando que daqui a 2 anos será a formatura dos meus primeiros alunos, da primeira turma que olhou pra mim com olhinhos de curiosidade quando eu entrei em uma sala de aula, tão disposta a ensinar quanto a aprender, e é com eles que eu venho aprendendo muito a cada manhã.
E junto com isso, eu paro pra pensar que sou tão "saidinha" pra algumas coisas, e tão careta pra outras, principalmente quando o assunto é música. Eu acho um absurdo em uma formatura de Ensino Fundamental, uma festa familiar, para jovens com idade por volta dos 15 anos tocar algo como "vai de ladinho, levanta a perninha", ou "Naa hora do rala e rola não existe preconceito, vem pra cá potranca linda que eu vou fazer do seu jeito" (acho que é isso), e ver meninas dançando isso, com a maior naturalidade, sem nenhum pudor e muitas vezes sem pensar no que estão fazendo, aliás, sem nem saber o que isso quer dizer. Eu não me dava conta disso pois nunca tinha parado pra ouvir, e como eu digo que é sempre nessa hora que eu saio da pista (onde eu adoro me acabar de dançar) e vou descansar, dessa vez resolvi prestar um pouquinho de atenção, e me lembrei, inclusive, de uma pergunta em uma conferência sobre arte, onde alguém questionou se a ditadura não nos trouxe coisas boas em termos artísticos, onde essas coisas eram proibidas (e eu acho que deveriam ser), e as coisas que realmente precisavam ser ditas, eram ditas de forma velada e menos explícita. Infelizmente não tenho as respostas, e enquanto isso "a gente vai levando..."

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"As pessoas sempre culpam as circunstâncias pelo que são. Eu não acredito nas circunstâncias. Os que triunfam na vida são os que triunfam sobre as circunstãncias. Eles as procuram e, se não encontram, fazem suas próprias circunstãncias."

Bernard Shaw - A profissão da Senhora Warren

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma tarde minha. Quieta e silenciosa passada na biblioteca da ECA. O som da chuva lá fora e o cheiro de terra molhada que trouxeram a lembrança de seis complicados e dolorosos meses de amadurecimento. Lendo a tese de mestrado do Paco, sobre o nosso processo de montagem de "A Linguagem das Flores", no Macú. Hoje o olhar é outro. Quase o olhar de quem está do lado de cá (se é que isso existe), o olhar da educadora, que tem medo de perder o olhar, ainda pouco experienciado da atriz, em um processo que poderia ter sido melhor experienciado e não foi, ou o foi de forma diferente do que poderia ter sido, talvez por não ter condições de mexer em certas emoções, em um período em que a minha vida se resumia entre idas a hospitais e às aulas, e a idéia de lidar e falar sobre a morte, seja ela física, seja das esperanças, das expectativas me assustavam pois eu sabia que elas estavam por vir, e de fato vieram. E ao ler, as dúvidas sobre a arte-educação me assustam e me inquietam, mas dessa vez me colocam em um lugar mobilizador e muito tentador de auxiliar jovens e um ponto muito significativo do seu processo de amadurecimento, e ver o poder transformador do teatro. E, acima disso, perceber o olhar sensível do Paco sobre a "aluna com baixa auto-estima", que ele viu e que eu buscava esconder das pessoas e de mim mesma.
E ao ver as fotos da tese, a saudade pulsante da Gabizinha, amiga e parceira tão presente nesse processo!