domingo, 29 de novembro de 2009

Ah, esqueci de escrever no post anterior que eu descordo da resposta da Tonica Pereira, sobre a execução de música em cena pelos atores. Acho, sim, que é possível, se houver pesquisa, dedicação e ensaio. E essas discordâncias são as que fazem o nosso teatro ser tão rico.
Três dias quase respirando teatro, me fizeram lembrar como isso é bom, e decidir que eu não vou deixar mais, nem por poucos momentos isso se aquietar aqui, como estava antes. Assisti a quase todas as conferências da SP escola de teatro, e decidi me inscrever na de sonoplastia, pra tentar, realmente, começar a minha pesquisa de música no teatro. A conferência com a denise Fraga, que fez eu me identificar com tantas coisas do começo da carreira, o guarda-roupa quase todo rosa, e a procura de companhia pra voltar pro metrô no primeiro dia do curso de teatro. Me fez entender muito sobre a encenação de Alma boa de Setsuan, que eu vi a semana passada, e foi um tapa na minha cara, pra eu perceber como ainda sou preconceituosa. Como usar a comédia, o humor, pra divertir e ao mesmo tempo refletir, e me dar conta de que um bom espetáculo atinge ao mesmo tempo o cérebro e o coração do espectador. Pensar que é bom montar um Brecht pra quem pode pagar 80 reais pra ir ao teatro, porque são esses os que mais precisam ter contato com essa realidade outra, e que tem uma "boa decepção" ao ver que não saíram das suas casas pra ver e menininha engraçada do fantástico.
Ainda ver a força da Denise Weinberg em cena, e me encantar novamente com o trabalho do José Roberto Jardim e a genialidade do Newton Moreno, que pra mim é o melhor dramaturgo e diretor que temos por aí hoje, em "Da possibilidade de alegria no mundo", e pra finalizar, ter visto uma demonstração de um trabalho de pesquisa de um ator da UNICAMP, a partir da pesquisa do Lume, e dois espetáculos criados a partir de Mímesis, e relembrar a maravilha que foi o meu 2o ano na Faculdade, ao ver todo o exaustivo e delicioso treinamento corporal das aulas da Ana Wuo, e uma outra conferência com o Emílio Di Biasi, nada mais nada menos que o diretor do Grande Circo Místico, espetáculo que eu ainda sonho montar, e que eu não fiz nenhuma pergunta pra ele sobre o espetáculo, pois tudo o que eu ouvi dele já me deixou satisfeita e reflexiva.
E é isso aí, nessas horas eu entendo porque essa foi a minha escolha! E vamo que vamo!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Numa cultura onde a aprovação/desaprovação tornou-se regukador predominante dos esforços e da posição, e frequentemente o substituto do amor, nossas liberdades pessoais são dissipadas.
Abandonados aos julgamentos arbitrários dos outros, escilamos diariamente entre o desejo de ser amado e o medo da rejeição para produzir. Qualificados como "bons" ou "maus" desde o nascimento, nos tornamos tão dependentes da t~enue base de julgamento de aprovação/desaprovação que ficamos criativamente paralisados. Vemos com os olhos dos outros e sentimos o cheiro com o nariz dos outros.
Assim, o fato de depender de outros que digam onde estamos, quem somos, o que está acontecendo resulta numa séria perda da experiência pessoal. Perdemos a capacidade de estar organicamente envolvidos num problema, e de uma maneira desconectada funcionamos somente com partes do nosso todo. Não conhecemos nossa própria substância, e na tentativa de viver (ou de evitar viver) pelos olhos de outros, a auto-identidade é obscurecida, nosso corpo e a graça natural desaparece, e a aprendizagem é afetada. Tanto o indivíduo como a forma de arte são distorcidos e depravados, e a copreensão se perde para nós.

VIOLA SPOLIN, Improvisação para o Teatro. p. 6

Pra começar

Tentando recuperar o hábito de escrever, principalmente sobre teatro e arte em geral. Após quase um ano afastada do hábito criado durante a faculdade de Artes Cênicas, em nome de uma pesquisa sobre arte-educação, creio que com um pouco mais de maturidade em alguns sentidos, porém afastada de outros, mas sempre assistindo coisas, na tentativa de ser o mais neutra e ver com olhos profissionais. É essa a grande busca, fazer desse negócio de arte uma profissão... Nada fácil, mas vamos lá!